quarta-feira, 15 de outubro de 2014

SERMÃO


A sua fala mansa não me cansa
"O seu olhar atento eu não entendo"
Sua inconstância tanta me confunde
A sua calma é pouco e passa logo
Você me pede pra "não dizer" no meio de um discurso interminável
Que pra tudo eu observo alguma coisa, em meio a sua rispidez e fala rude
Me diz que eu não entendo e que sou confuso
Me pede vida leve sem vivê-la
Eu fui interrompido e me calei
Me disse "sou só ouvidos" e passada meia hora de já não importava mais se a porta foi aberta ou se você abriu
Foi tanto o que dissestes; já não lembra o que nem quanto me pediste
Eu "fiz" os seus pedidos mesmo sem cumprires suas promessas
E eu que sou o incompreensível,  aquele que não presta atenção, que não te valoriza...

FÉ ATIVA




   Talvez devêssemos negar os modelos de fé passiva onde se espera que algo, alguém ou alguma força superior lhe conceda a "graça" desejada e lhe traga pronto um "milagre" que você seria muito mais merecedor se construísse ao invés de pedir/orar/rezar por ele.
   Talvez devesse ser ou até já seja uma espécie de pecado pedir algo que você não trabalha na construção ou para que aconteça por suas próprias mãos. Talvez você zangue seu Deus pedindo por algo que esteja completamente ao seu alcance e sua capacidade.
   Certamente muitos milagres já seriam história registrada sem a displicência, a negligência e a preguiça de muitos.

AMOR DOENTE




Estranho um amor que vive ameaçando partir;
Seria mesmo amor?
Amor que condiciona ou "faz isso" ou "sem aquilo" se pode chamar amor?
Que vive a se auto valorizar ignonando reconhecer a outra parte;
Que pede muito aquilo que nunca da.
Que acusa comportamentos indesejados do outro e proíbe falar dos seus.
Que sente ciúme em demasia, por vezes insistindo em coisas que não existem.
Dois ou mais desses sintomas deveriam ser indicativo de doença de amor a impulsionar buscar tratamento e a alma do todos pode ser indicativo de falso amor.

NÃO MERECEDOR




   Estranho eu "apanhar" por algo que "não fiz". Levar bronca por ter me comportado uma única vez como você se comporta normalmente. Esquisito você esbravejar por meu ato isolado ser tão corriqueiro no jeito seu.
   Aceitarei resignada desejando que um dia se perceba e quem sabe me perdoe por ter sido cópia tão fiel de comportamento seu.

SAUDADE



Acordei cantando você
Querendo não querer te querer
Sentindo saudade, desejo, vontade
Te quis descrever, te ler,  te encontrar
Saber onde te procurar
Te cantar,  te sentir,  ter você

SABER CALAR




   Além do dito popular que "somos senhores do que não dissemos e escravos do que falamos", cabe muita coisas por traz do silêncio.
   O silêncio consegue ser, ao mesmo tempo, poderoso e perturbador. As palavras lançadas tem peso diferente para quem as pronuncia conforme nível emocional, estado de espírito ou proporção do impulso aplicados ao texto. Ainda que as vezes sussurrados e em outras gritados; os textos marcam mais os ouvintes do que aquele que o diz. Quem ouve no entanto faz uma livre tradução do vocabulário somado ao tom de voz mais a expressão facial e corporal.
   Será mesmo que precisamos dizer tudo que vem a nossa mente? Seriam todas verdadeiras as ameaças de ir embora/abandonar? Teria mesmo alguma mãe coragem de deixar seu filho se ele se jogar no chão em algum estabelecimento?

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

QUANTO SUA VIDA PESA?


Trasncrição da fala do vídeo:

"Quanto as suas vidas pesa?

"Imaginem que estão carregando uma mochila nas costas. Eu quero que sintam as alças nos ombros. Sentiram?

Eu quero que guardem nela todas as coisas que tem na vida. Comecem pelas coisas pequenas. Os objetos das prateleiras e gavetas, os enfeites, as coleções... Sintam o peso aumentar. Comecem a guardar coisas maiores: Suas roupas, itens de cozinha, lâmpadas, jogos de cama, as TVs. As mochilas devem estar pesadas, mas guardem mais. Que tal o sofá? A cama? A mesa de jantar? Guardem tudo lá dentro. O carro também pode guardar. A casa! Pode ser um conjugado ou um sala e dois quartos. Eu quero que vocês guardem tudo isso dentro da mochila.

Agora tentem andar!

Difícil não é?

Pois é o que nós fazemos sempre. Nós carregamos tanto peso que não conseguimos mais nos mover. E não se enganem! A vida é movimento.
Agora; vamos queimar as mochilas. O que vocês querem tirar dela? As fotos? Fotos são pra gente que não se lembra de nada. Tomem gincobiloba e deixem que elas queimem. Eu quero que deixem tudo queimar. Imaginem acordar amanhã sem nada. Isso é bem revigorante não é?"


Será que não somos mesmo assim?

O Trecho do filme nos faz refletir sobre os nossos apegos e nossas próprias miragens, ilusões. Vivemos presos ao poder de cargo, ao status de determinado carro, ao endereço e até dos lugares que frequentamos. Foi Lya Luft quem perguntou "onde começamos nós e termina a influência de tantos?". E nesta mesma linha talvez tenha sido Freud quem profetizou que "as raízes da nossa criação são profundas que somos incapazes de arrancar". 

Será?